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Tipos de acalasia: I, II e III explicados

14/07/2026 - 16:00

Os tipos de acalasia são definidos pela manometria de alta resolução, que analisa as contrações do esôfago e o relaxamento do esfíncter inferior durante a deglutição. Esses padrões orientam a investigação, mas não representam uma escala progressiva de gravidade.

Compreender a diferença entre os tipos de acalasia permite relacionar os achados do exame às possibilidades de tratamento. A Classificação de Chicago descreve padrões manométricos, enquanto outras classificações avaliam separadamente a dilatação e a evolução do megaesôfago.

A definição da conduta considera a manometria, os sintomas e os demais exames do paciente. O Dr. Carlos Obregon, cirurgião do aparelho digestivo em São Paulo, realiza essa avaliação e indica o tratamento cirúrgico de acordo com as características de cada caso.

Tipos de acalasia: I, II e III explicados

O que é acalasia?

A acalasia é um distúrbio da motilidade do esôfago. Nessa condição, o esfíncter esofágico inferior, estrutura que separa o esôfago do estômago, não relaxa adequadamente, enquanto os movimentos responsáveis por conduzir o alimento estão ausentes ou alterados.

Como consequência, alimentos e líquidos encontram dificuldade para chegar ao estômago. Os sintomas mais frequentes incluem disfagia, regurgitação e perda de peso, que podem surgir de forma gradual e se intensificar conforme a alteração funcional do esôfago progride.

Apresentações da acalasia

A acalasia pode apresentar três padrões manométricos, classificados como tipos I, II e III. Todos compartilham a dificuldade de relaxamento do esfíncter esofágico inferior, mas diferem quanto à atividade e às contrações observadas no corpo do esôfago.

A identificação do tipo de acalasia contribui para a definição da conduta, pois os padrões podem responder de maneira distinta à dilatação pneumática, à cirurgia de Heller e ao POEM. Essa classificação não representa uma escala de gravidade entre os tipos.

Compreender a diferença entre os tipos de acalasia ajuda a interpretar o resultado da manometria e os critérios utilizados na escolha do tratamento. As características específicas de cada padrão serão detalhadas nas próximas seções.

Tipo ou grau? Como interpretar a classificação da acalasia

Expressões como “acalasia grau 1”, “grau 2” ou “grau 3” aparecem com frequência em relatos de pacientes e até em alguns laudos. Entretanto, na Classificação de Chicago, o termo tecnicamente correto é tipo.

Essa distinção é importante porque tipo e grau pertencem a sistemas diferentes. O tipo descreve o padrão funcional identificado pela manometria, enquanto o grau ou grupo pode indicar o nível de dilatação e alteração anatômica do megaesôfago.

Por isso, interpretar “acalasia grau 3” como uma forma necessariamente avançada pode levar a conclusões equivocadas. Antes de relacionar o número à gravidade, é necessário identificar qual classificação foi utilizada no exame.

Classificação de Chicago e os tipos de acalasia

A Classificação de Chicago é um sistema manométrico utilizado para identificar distúrbios da motilidade esofágica. A classificação diferencia os padrões dos tipos de acalasia I, II e III conforme as pressões e contrações registradas durante a deglutição.

Os tipos de acalasia não formam uma escala progressiva. Portanto, o tipo III não é pior que o tipo II, assim como o tipo II não representa uma evolução do tipo I. Cada número descreve um padrão funcional distinto.

Dessa forma, quando a expressão “acalasia grau 3” é usada para se referir à Classificação de Chicago, o número indica características das contrações esofágicas. Ele não informa, isoladamente, a gravidade ou o estágio da doença.

Como a manometria identifica o tipo?

A manometria esofágica de alta resolução utiliza um cateter com vários sensores de pressão, posicionado ao longo do esôfago até o estômago. Durante uma sequência padronizada de deglutições, o exame registra a atividade do corpo esofágico e do esfíncter inferior.

Os registros são apresentados em um mapa de cores chamado topografia de pressão esofágica, historicamente chamada de plot de Clouse. A análise desse mapa permite verificar o relaxamento do esfíncter, a pressurização do esôfago e a presença de contrações.

Esses achados são interpretados em conjunto para determinar o tipo manométrico. A classificação não deve ser analisada de forma isolada, pois a definição do tratamento também considera sintomas, exames de imagem e características clínicas.

Graus e grupos do megaesôfago

A gradação existe nas classificações do megaesôfago, que avaliam principalmente as alterações anatômicas e o nível de dilatação do esôfago. Esses sistemas não devem ser confundidos com os tipos I, II e III da Classificação de Chicago.

A Classificação de Rezende utiliza a radiografia contrastada e divide o megaesôfago em grupos de 1 a 4. O grupo 1 corresponde às alterações mais incipientes, enquanto o grupo 4 inclui o dolicomegaesôfago, com dilatação e alongamento mais acentuados.

A Classificação de Pinotti relaciona achados radiológicos e manométricos convencionais para dividir o megaesôfago em incipiente, não avançado e avançado. Nesse sistema, os termos expressam uma progressão anatômica e funcional.

Assim, dentro dos tipos de acalasia, a acalasia grau 1, dentro do sentido de doença inicial, segue a lógica das classificações do megaesôfago, e não a Classificação de Chicago. O tratamento, portanto, deve considerar os dois eixos sem tratá-los como equivalentes.

Tipos de acalasia

A classificação dos tipos de acalasia permite diferenciar os padrões de funcionamento do esôfago observados na manometria, possibilitando uma abordagem mais direcionada para cada caso.

Embora útil para orientar a conduta, essa divisão não indica progressão entre os tipos. Cada padrão deve ser interpretado de forma independente, sempre em conjunto com os sintomas e outros achados clínicos.

Acalasia tipo I: padrão clássico

Entre os tipos de acalasia, o tipo I apresenta ausência de peristaltismo no corpo do esôfago e não produz pressurização pan-esofágica significativa durante as deglutições. Por esse motivo, é conhecido como padrão clássico.

Nesse padrão, o esôfago não gera contrações capazes de conduzir adequadamente alimentos e líquidos até o estômago. A dilatação pode estar presente, mas sua intensidade deve ser avaliada por exames de imagem e não é definida apenas pelo tipo manométrico.

A cirurgia de Heller (laparoscópica) é uma alternativa segura e efetiva para casos com indicação de tratamento invasivo. O POEM (miotomia endoscópica peroral) também apresenta alta eficácia no controle da disfagia, embora possua riscos próprios, incluindo a ocorrência de refluxo após o procedimento.

Acalasia tipo II: pressurização pan-esofágica

O tipo II associa ausência de peristaltismo à pressurização de todo o corpo esofágico em pelo menos 20% das deglutições. Esse padrão ocorre quando o esôfago pressuriza o conteúdo retido, mas encontra resistência para conduzi-lo até o estômago.

Entre os três tipos de acalasia, o tipo II costuma apresentar taxas elevadas de resposta à dilatação pneumática, à cirurgia de Heller e ao POEM. Esse resultado, entretanto, não significa que ele seja uma etapa mais leve ou anterior aos demais tipos.

A escolha do tratamento depende da avaliação clínica, da anatomia do esôfago e da experiência da equipe. A cirurgia de Heller mantém papel consolidado, com segurança e efetividade reconhecidas quando corretamente indicada.

Acalasia tipo III: padrão espástico

O tipo III apresenta contrações prematuras ou espásticas em pelo menos 20% das deglutições, associadas à dificuldade de relaxamento do esfíncter esofágico inferior. A dor torácica pode ocorrer com maior frequência, além da disfagia.

Esse é o padrão menos frequente entre os tipos de acalasia. Apesar das características espásticas, ele não possui prognóstico necessariamente pior e não deve ser interpretado como o tipo mais grave da classificação.

A conduta precisa ser individualizada conforme a extensão das contrações e os achados dos exames. Quando a cirurgia de Heller é indicada, a miotomia pode ser planejada para alcançar o segmento comprometido, de acordo com a avaliação técnica de cada caso.

O POEM também pode apresentar boa resposta para disfagia, sobretudo quando é necessária uma miotomia mais extensa. No entanto, não deve ser considerado isento de riscos ou mais seguro por definição, pois pode causar complicações próprias, entre elas o refluxo gastroesofágico.

Tratamento por tipo

As principais opções intervencionistas reduzem a resistência na transição entre o esôfago e o estômago. A resposta, porém, pode variar entre os tipos de acalasia, conforme o padrão manométrico, a anatomia do esôfago e os tratamentos realizados anteriormente.

O tipo manométrico contribui para a escolha da conduta, mas não determina sozinho qual procedimento deve ser realizado. Sintomas, dilatação do esôfago, extensão das contrações, idade, condições clínicas e riscos de refluxo também precisam ser considerados.

Tipos de acalasia Padrão na manometria Dilatação pneumática Cirurgia de Heller POEM Considerações
Tipo I Aperistalse sem pressurização pan-esofágica significativa. Pode ser eficaz, com resposta menos previsível que no tipo II. Eficaz quando corretamente indicada. Também pode controlar a disfagia. A anatomia e a dilatação do esôfago influenciam a decisão.
Tipo II Aperistalse com pressurização pan-esofágica em pelo menos 20% das deglutições. Frequentemente apresenta resposta elevada. Apresenta resultados consistentes. Também apresenta alta eficácia para disfagia. Costuma responder bem às diferentes modalidades, sem representar um estágio mais leve.
Tipo III Contrações prematuras ou espásticas em pelo menos 20% das deglutições. A resposta pode ser menos consistente. Pode ser realizada com miotomia planejada conforme a extensão do segmento espástico. Pode permitir miotomia mais extensa, conforme a indicação. É o tipo menos frequente e exige conduta individualizada, sem indicar maior gravidade.

Dilatação pneumática

A dilatação pneumática utiliza um balão para romper parcialmente as fibras musculares do esfíncter esofágico inferior. Pode ser empregada nos três tipos de acalasia, embora a resposta costume ser mais elevada no tipo II e menos consistente no padrão espástico.

O procedimento pode precisar de novas sessões para manter o controle dos sintomas. Antes da escolha, devem ser discutidos a possibilidade de repetição, o risco de perfuração e a chance de necessidade posterior de outro tratamento.

Cirurgia de Heller com fundoplicatura parcial

A cirurgia de Heller, também chamada cardiomiotomia, secciona as fibras musculares responsáveis pela resistência na transição entre o esôfago e o estômago. Em geral, associa-se uma fundoplicatura parcial para reduzir o risco de refluxo após a miotomia.

Trata-se de uma técnica consolidada, segura e efetiva, quando corretamente indicada. Este é o tratamento cirúrgico realizado pelo Dr. Carlos Obregon e também pode ser empregado nos três tipos de acalasia, com planejamento adaptado aos achados manométricos e anatômicos.

No tipo III, a extensão da miotomia pode ser definida conforme o segmento comprometido pelas contrações espásticas. Esse ajuste faz parte do planejamento técnico e não significa que o tipo III seja uma forma mais grave da doença.

POEM

POEM é a sigla para miotomia endoscópica peroral. O procedimento cria, por endoscopia, um túnel na parede do esôfago para permitir a secção das fibras musculares responsáveis pela obstrução funcional, sem a realização de incisão externa.

A técnica apresenta eficácia elevada para o controle da disfagia, inclusive em casos selecionados que exigem miotomia mais extensa. Entretanto, a via endoscópica não torna o procedimento isento de riscos nem necessariamente mais seguro que a cirurgia de Heller.

O POEM possui complicações próprias e pode apresentar maior ocorrência de refluxo após o procedimento, pois não inclui uma fundoplicatura. A escolha entre POEM e Heller deve ser individualizada, sem presumir superioridade automática de uma técnica sobre a outra.

Nos casos de acalasia refratária ao tratamento clínico, ou quando a dilatação deixa de manter o alívio dos sintomas, a miotomia pode ser considerada. A decisão depende do tipo manométrico, da anatomia do esôfago, dos tratamentos prévios e dos riscos de cada técnica.

Portanto, a escolha entre dilatação pneumática, cirurgia de Heller e POEM exige análise conjunta da manometria, da anatomia do esôfago e dos tratamentos prévios. A avaliação com o Dr. Carlos Obregon permite definir a conduta mais adequada para cada caso. 

A acalasia pode evoluir ao longo do tempo?

Sem tratamento, a dificuldade de esvaziamento pode favorecer a dilatação progressiva do esôfago. Com isso, disfagia, regurgitação, perda de peso e risco de aspiração podem se intensificar.

Essa evolução pode ocorrer em qualquer um dos tipos de acalasia e não depende da numeração da Classificação de Chicago. O tratamento adequado reduz a resistência na passagem para o estômago e ajuda a evitar alterações estruturais avançadas.

Quando a acalasia evolui para megaesôfago

O megaesôfago ocorre quando o esôfago se torna dilatado, alongado ou tortuoso após um período prolongado de dificuldade de esvaziamento. Essas alterações são avaliadas a partir dos tipos de acalasia, por exames de imagem e classificações próprias.

O tratamento do megaesôfago por grau depende da anatomia, dos sintomas e dos procedimentos anteriores. A esofagectomia fica reservada a situações específicas de megaesôfago terminal.

Complicações da acalasia

A acalasia não é câncer, mas pode causar complicações importantes quando permanece sem tratamento. Entre elas estão:

  • Pneumonia aspirativa, 
  • Perda de peso,
  • Desnutrição
  • Agravamento da dificuldade para se alimentar.

Com diagnóstico, tratamento e acompanhamento adequados, a maioria dos pacientes apresenta bom controle dos sintomas. A avaliação periódica permite identificar mudanças no quadro e ajustar a conduta quando necessário.

Tratamento dos tipos de acalasia com o Dr. Carlos Obregon

O Dr. Carlos Obregon (CRM-SP 177864 | RQE 107012 | RQE 107013) é cirurgião geral e cirurgião do aparelho digestivo, formado em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com residências médicas realizadas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Sua formação inclui residência em cirurgia geral e cirurgia do aparelho digestivo, preceptoria em cirurgia do aparelho digestivo e coloproctologia no HC-FMUSP, além de complementação em colonoscopia pela Faculdade de Medicina da USP.

Atua no diagnóstico e no tratamento de doenças do aparelho digestivo, incluindo acalasia, refluxo, hérnias, cálculos na vesícula e condições colorretais. Quando há indicação cirúrgica, a conduta é definida conforme os sintomas, exames e características clínicas do paciente.

O atendimento é feito de forma individualizada, com análise do histórico, dos exames de imagem e da manometria, quando aplicável. O Dr. Carlos Obregon atende presencialmente no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo.

Agende sua consulta

A avaliação especializada permite relacionar os sintomas aos exames e definir a conduta mais adequada para cada caso de acalasia.

Solicite sua consulta com o Dr. Carlos Obregon para avaliação, diagnóstico e tratamento das doenças do aparelho digestivo.

As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.​​

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Conteúdo atualizado em 2026.

Carlos de Almeida Obregon I Cirurgia do Aparelho Digestivo I CRM-SP 177864 I RQE 107012 I RQE 107013

FAQ – Dúvidas frequentes sobre Tipos de acalasia: I, II e III explicados

1. Acalasia tipo 2 tem melhor prognóstico que tipo 1?

Sim. O tipo II responde melhor a todos os tratamentos, com remissão descrita entre 90% e 100% após cirurgia adequada. O tipo I tem resposta boa, porém menos previsível.

2. Acalasia pode matar se não tratar?

A acalasia em si não é fatal. Complicações não tratadas podem ser graves, como pneumonia aspirativa e desnutrição, e o megaesôfago terminal pode exigir esofagectomia.

3. Posso escolher entre cirurgia de Heller e POEM?

A escolha é técnica e individualizada. Considera o tipo, a anatomia do esôfago e o histórico. O POEM é eficaz para disfagia, mas tem complicações próprias e mais refluxo pós-procedimento.

4. Acalasia tem cura ou é doença crônica para sempre?

O tratamento controla os sintomas e restabelece o esvaziamento do esôfago, com boa qualidade de vida. A motilidade perdida não é recuperada, e o acompanhamento permanece necessário.

5. A dilatação pneumática precisa ser repetida sempre?

Não sempre, mas a repetição é possível e faz parte do método. A necessidade varia conforme o tipo de aclasia, com melhor durabilidade no tipo II e resposta menor no tipo III.

6. Com acalasia posso comer normalmente após o tratamento?

Na maior parte dos casos, a alimentação melhora de forma significativa após o tratamento adequado. Ajustes de consistência e de ritmo podem permanecer, conforme a resposta individual.

7. Acalasia tipo 3: qual o tratamento mais indicado?

A conduta é individualizada. A miotomia pode ser estendida para cobrir as contrações distais. O tipo III é o menos frequente e não tem, por si, prognóstico pior que os demais.

8. O tipo de acalasia muda com o tempo na manometria?

O padrão manométrico pode variar ao longo da evolução e após tratamentos. Por isso, a manometria é reavaliada quando o quadro clínico muda ou a resposta terapêutica não se sustenta.

9. Megaesôfago: o que acontece se não tratar a acalasia?

O esôfago dilata de forma progressiva, pode ultrapassar 6 cm e assumir angulação em S. Nos estágios avançados, a miotomia deixa de resolver e a esofagectomia pode ser necessária.

10. Qual a diferença de tratamento entre os tipos de acalasia?

O tipo II responde melhor à dilatação e à miotomia. O tipo I responde de forma variável à dilatação. No tipo III, a miotomia é estendida conforme as contrações espásticas.

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