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Ostomia: guia completo para quem é ou será ostomizado

22/09/2026 - 16:00

A ostomia é uma abertura criada cirurgicamente para conectar o intestino ou a via urinária à parede abdominal, permitindo a eliminação de fezes ou urina quando o trajeto natural precisa ser desviado. O procedimento pode exigir adaptações nos cuidados diários e no uso do dispositivo coletor.

Quem vive com ostomia pode retomar atividades profissionais, sociais e físicas após o período de recuperação, conforme a condição clínica e a orientação da equipe de saúde. A adaptação envolve aprender a cuidar do estoma, proteger a pele e utilizar corretamente a bolsa coletora.

Este guia reúne informações sobre os tipos de estoma, os cuidados com a bolsa, o fornecimento de dispositivos pelo SUS, os direitos legais e a possibilidade de reversão. Antes, é possível compreender uma das cirurgias associadas à criação do estoma no conteúdo sobre colectomia.

Acompanhamento médico para o paciente que tem a bolsa de ostomia com o Dr Carlos Obregon

O que é ostomia e quais são os tipos

A ostomia (ou estomia) recebe denominações diferentes conforme o órgão exteriorizado. Identificar o tipo de estoma é importante porque suas características influenciam a consistência do conteúdo eliminado, os cuidados com a pele, a hidratação e o modelo de dispositivo coletor utilizado.

Colostomia: abertura do cólon

A colostomia corresponde à exteriorização de uma parte do cólon, que integra o intestino grosso. Como o conteúdo intestinal já percorreu parte significativa do trato digestivo, as fezes eliminadas pelo estoma tendem a apresentar consistência pastosa ou sólida, dependendo da localização da abertura.

A localização abdominal varia conforme o segmento do cólon exteriorizado, embora determinados tipos sejam mais frequentes no lado esquerdo. O estoma pode ser temporário, para proteger uma região do intestino durante a cicatrização, ou definitivo quando a reconstrução do trânsito não é possível.

Ileostomia: abertura do íleo

A ileostomia é formada pela exteriorização do íleo, porção final do intestino delgado. Como o conteúdo ainda não percorreu o cólon, a eliminação tende a ser líquida ou semilíquida e contém enzimas digestivas capazes de provocar maior irritação quando permanecem em contato com a pele.

Os cuidados com ileostomia incluem atenção à proteção da pele ao redor do estoma e à reposição adequada de líquidos e eletrólitos, já que as perdas podem ser maiores. Esse tipo de derivação pode ser utilizado após cirurgias extensas do cólon, conforme a doença tratada e a estratégia cirúrgica adotada.

Urostomia: abertura para a urina

A urostomia permite desviar a urina para uma abertura na parede abdominal quando a bexiga não pode exercer sua função habitual ou precisa ser retirada. A principal diferença entre os tipos de urostomia está na técnica escolhida para conduzir a urina até o estoma, que pode utilizar um segmento intestinal.

Como esse procedimento envolve o sistema urinário, sua indicação e seu acompanhamento fazem parte da assistência urológica, em conjunto com os demais profissionais envolvidos no cuidado do estoma. Neste guia, a urostomia é apresentada para diferenciar as principais formas de derivação existentes.

Ostomia temporária ou definitiva

A ostomia temporária é criada quando o desvio do trânsito intestinal precisa ser mantido apenas durante determinado período, como na proteção de uma anastomose enquanto ocorre a cicatrização. A reconstrução posterior depende da recuperação do intestino e das condições clínicas do paciente.

Já a derivação definitiva pode ser necessária quando não existe possibilidade segura de reconstruir o trânsito intestinal ou preservar o mecanismo de continência. Definir se o estoma tem caráter temporário ou permanente ajuda a orientar o acompanhamento, os cuidados e o planejamento das etapas seguintes.

Aspecto Colostomia Ileostomia Urostomia 
Segmento exteriorizado  Cólon, parte do intestino grosso  Íleo, parte final do intestino delgado  Via urinária desviada para a parede abdominal, geralmente com uso de um segmento intestinal 
Conteúdo eliminado Fezes Fezes Urina 
Aspecto das fezes  Geralmente pastosas a sólidas  Líquidas a semilíquidas  Líquido e contínuo 
Irritação da pele  Geralmente menor  Maior risco pelo contato com conteúdo intestinal mais líquido  Pode ocorrer pelo contato prolongado da urina com a pele ou por vazamentos 
Perda de líquidos  Geralmente menor  Maior, exigindo atenção à hidratação  Relacionada principalmente ao débito urinário e à hidratação do paciente 
Contextos de utilização  Câncer colorretal, diverticulite, trauma e outras condições  Cirurgias extensas do cólon e outras situações que exigem desvio intestinal  Retirada da bexiga, comprometimento grave da função vesical ou necessidade de derivação urinária 

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Quando a ostomia pode ser necessária

A estomia não é uma doença, mas um recurso cirúrgico utilizado quando é necessário desviar temporária ou definitivamente o trânsito intestinal ou urinário. A indicação depende da condição tratada, da extensão da cirurgia e da possibilidade de reconstruir o trajeto natural com segurança.

Entre as situações que podem exigir um estoma estão:

  • Câncer colorretal.
  • Doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn complicada e a retocolite ulcerativa grave, quando há necessidade de ressecções ou desvio do trânsito intestinal.

A diverticulite complicada por perfuração e peritonite também pode exigir cirurgia de urgência. Em determinados casos, a cirurgia de Hartmann remove o segmento comprometido e cria uma estomia intestinal, que poderá ser avaliada posteriormente quanto à possibilidade de reconstrução do trânsito intestinal.

Traumas abdominais, obstruções intestinais e outras situações de urgência também podem impedir a reconexão imediata do intestino. Nesses contextos, a estomia pode reduzir riscos relacionados à cicatrização e permitir que o tratamento seja conduzido de acordo com as condições clínicas do paciente.

Como utilizar e cuidar da bolsa de ostomia

A bolsa coletora recebe o conteúdo eliminado pelo estoma e faz parte dos cuidados diários após a cirurgia. A escolha do dispositivo deve considerar o tipo e o formato do estoma, as características da pele, o volume das eliminações e a rotina do paciente.

Tipos de bolsa: de uma peça ou de duas peças

No sistema de uma peça, a placa adesiva e a bolsa coletora formam um único conjunto, sendo retiradas simultaneamente durante a troca. Já a bolsa de colostomia de duas peças permite desacoplar a bolsa da base adesiva, que pode permanecer na pele enquanto estiver bem aderida e íntegra.

A escolha entre os sistemas deve ser individualizada, pois cada modelo apresenta características diferentes de adaptação, manejo e frequência de troca. A avaliação do estoma e da pele ao redor ajuda a identificar o dispositivo que oferece melhor vedação, conforto e segurança para cada pessoa.

Como trocar a bolsa: o passo a passo

A retirada deve ser feita lentamente, descolando o adesivo enquanto a pele é sustentada para reduzir traumas. Em seguida, a região ao redor do estoma deve ser higienizada delicadamente com água e material macio, evitando produtos que irritem a pele ou deixem resíduos capazes de prejudicar a aderência.

Após secar cuidadosamente a região, é necessário medir o estoma e ajustar a abertura da placa para que fique próxima à sua borda, sem comprimi-lo nem deixar uma área extensa de pele exposta. O dispositivo deve ser aplicado conforme as orientações recebidas durante o acompanhamento.

A frequência de troca varia conforme o tipo de bolsa, as características do estoma e a condição da pele. Vazamentos, descolamento da placa, ardência ou coceira são sinais de que o sistema precisa ser avaliado e, quando necessário, substituído antes da programação habitual.

Cuidados com a pele ao redor do estoma

A pele periestomal precisa permanecer íntegra e protegida, pois o contato prolongado com fezes ou urina pode provocar irritação e dermatite. Uma placa bem ajustada ao tamanho e ao formato do estoma contribui para diminuir vazamentos e reduzir o contato das eliminações com a pele.

Produtos de proteção cutânea, como pós, pastas ou anéis de barreira, podem ser utilizados conforme a necessidade e a orientação profissional. Vermelhidão persistente, feridas, sangramento recorrente ou alterações ao redor do estoma devem ser avaliados pelo cirurgião ou pelo enfermeiro estomaterapeuta.

Controle de odor e de gases

As bolsas atuais são desenvolvidas para manter o conteúdo e o odor no interior do sistema quando estão corretamente vedadas. Alguns modelos também possuem filtros destinados à liberação gradual dos gases, o que pode diminuir o acúmulo de ar dentro do dispositivo.

A alimentação pode modificar a produção de gases e o odor das eliminações, e essas respostas variam entre os pacientes. Observar a relação entre determinados alimentos e os sintomas ajuda a fazer ajustes individualizados sem estabelecer restrições alimentares desnecessárias.

A irrigação de colostomia consiste na introdução programada de água pelo estoma para estimular o esvaziamento do cólon. A técnica é indicada apenas para pacientes selecionados, principalmente em determinadas colostomias descendentes ou sigmoides, e deve ser ensinada e acompanhada pela equipe de saúde.

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Alimentação após a ostomia: cuidados e adaptação

Não existe uma dieta única para quem é ostomizado. A alimentação deve ser adaptada ao tipo de estoma, à cirurgia realizada e à resposta individual aos alimentos. Nas primeiras semanas, alguns cuidados podem facilitar a adaptação à ostomia e auxiliar no controle de gases, alterações das fezes e desconfortos digestivos.

O que observar nas primeiras semanas

No período inicial, a reintrodução dos alimentos costuma ser gradual, conforme a tolerância e a orientação da equipe responsável. Mastigar bem, fazer refeições menores e observar a resposta a cada alimento pode ajudar a identificar quais itens aumentam gases, modificam o trânsito intestinal ou provocam desconforto.

Alimentos como feijão, repolho e bebidas gaseificadas podem aumentar a produção de gases em algumas pessoas, mas isso não significa que precisem ser excluídos definitivamente. Alguns alimentos também alteram a cor das eliminações, como a beterraba, que pode conferir tonalidade avermelhada ao conteúdo intestinal.

Hidratação, sobretudo na ileostomia

A hidratação exige atenção especial em pessoas com ileostomia, pois a ausência do trânsito pelo cólon reduz a absorção de água e eletrólitos. Dependendo do volume eliminado pelo estoma, pode ser necessário aumentar a ingestão de líquidos e ajustar a reposição de sais sob orientação profissional.

Sede intensa, boca seca, redução da quantidade de urina, urina escura, tontura e fraqueza podem indicar desidratação. Diante desses sinais ou de aumento importante do débito do estoma, a equipe de saúde deve ser consultada para avaliar a necessidade de ajustes na hidratação ou de soluções de reidratação.

Como adaptar a alimentação ao longo do tempo

Com a recuperação cirúrgica e a adaptação intestinal, a alimentação pode ser ampliada progressivamente até se aproximar da rotina habitual. O ritmo e a consistência dos alimentos dependem do procedimento realizado, do funcionamento do estoma e da tolerância apresentada durante o pós-operatório.

O acompanhamento nutricional pode ajudar a manter uma alimentação equilibrada, identificar alimentos associados a sintomas e orientar a reintrodução daqueles inicialmente limitados. A proposta é preservar variedade e adequação nutricional, evitando restrições que não tenham indicação clínica.

Vida com ostomia: esportes, trabalho e relacionamentos

A estomia exige adaptações, principalmente no período após a cirurgia, mas não impede a retomada das atividades profissionais, físicas, sociais ou da vida íntima. O momento adequado para cada retorno depende da recuperação, do procedimento realizado e das orientações da equipe responsável.

Esportes e atividade física

Caminhada, natação, ciclismo e exercícios de fortalecimento podem ser retomados progressivamente após a liberação médica. Na musculação e em atividades que aumentam a pressão abdominal, é importante controlar as cargas e observar o risco de hérnia paraestomal, especialmente durante a recuperação.

Cintos ou faixas de suporte podem ser indicados em situações específicas, mas não substituem a orientação sobre técnica, carga e fortalecimento adequado. Esportes de contato ou atividades com risco de impacto direto sobre o estoma também exigem avaliação e medidas adicionais de proteção.

Vida sexual e intimidade

A ostomia não impede a atividade sexual. Esvaziar a bolsa antes da relação, verificar sua fixação e, quando desejado, utilizar dispositivos menores ou acessórios próprios para esses momentos pode proporcionar mais conforto e segurança durante a intimidade.

Alterações da função sexual após determinadas cirurgias pélvicas, especialmente operações envolvendo o reto, podem decorrer de lesões ou alterações dos nervos responsáveis pela função sexual. Nesses casos, o problema está relacionado ao procedimento e à condição tratada, e não necessariamente à estomia.

Vida profissional e social

O retorno ao trabalho varia conforme a extensão da cirurgia, a recuperação e as exigências da atividade profissional. Trabalhos que envolvem esforço físico ou levantamento de peso podem exigir um período maior de afastamento e uma retomada gradual para reduzir complicações relacionadas à parede abdominal.

A bolsa pode ser utilizada sob roupas habituais, desde que não haja compressão excessiva sobre o estoma. Viagens, refeições fora de casa e outras atividades sociais também são possíveis, com planejamento para levar materiais de troca, dispositivos adicionais e itens necessários aos cuidados cotidianos.

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Cuidados com a pele e com a hérnia paraestomal

Manter a pele ao redor do estoma íntegra favorece a aderência adequada da bolsa e reduz o risco de vazamentos, irritações e lesões. O cuidado inclui higienização delicada, secagem adequada e ajuste correto da abertura da placa ao tamanho e ao formato do estoma.

Produtos como pós, pastas, anéis e outras barreiras protetoras podem ser indicados conforme as características da pele e do estoma. Quando surge dermatite periestomal, é importante identificar a causa, corrigir possíveis falhas de vedação e buscar avaliação do enfermeiro estomaterapeuta quando necessário.

Outra complicação possível é a hérnia paraestomal, caracterizada pela protrusão de estruturas da cavidade abdominal pela região ao redor do estoma. Ela pode provocar aumento de volume local, desconforto e dificuldades para manter o dispositivo coletor adequadamente ajustado.

O controle dos esforços e a retomada progressiva das atividades físicas fazem parte dos cuidados após a cirurgia. Faixas ou cintos de suporte podem ser utilizados em situações selecionadas, mas não eliminam o risco de hérnia. Casos sintomáticos ou com alterações importantes devem ser avaliados pelo cirurgião do aparelho digestivo.

Quando a ostomia pode ser revertida?

Quando planejada como temporária, a reconstrução do trânsito intestinal pode ser considerada após a recuperação da cirurgia inicial. A possibilidade e o momento da reversão dependem da cicatrização, da doença que motivou o estoma e das condições clínicas para uma nova operação.

Critérios para a reversão de ostomia temporária

A reversão de ostomia temporária depende da confirmação de que o intestino apresenta condições adequadas para ser novamente conectado. Conforme o tipo de cirurgia realizada, o cirurgião pode solicitar exames de imagem, endoscópicos ou outros métodos para avaliar a região antes do procedimento.

O intervalo até a reversão varia entre os pacientes e pode compreender alguns meses. Além da cicatrização intestinal, são considerados o estado nutricional, a presença de infecções ou outras complicações e a necessidade de tratamentos adicionais que possam interferir no momento mais seguro para uma nova cirurgia.

Como é a cirurgia de reversão

Na cirurgia de reversão, o segmento intestinal exteriorizado é reconectado para restabelecer o trânsito pelo trajeto natural. A extensão do procedimento, a técnica utilizada e o período de internação variam conforme o tipo de estoma, a cirurgia anterior e as condições encontradas durante a operação.

Após a reconstrução, o hábito intestinal pode passar por um período de adaptação, com alterações na frequência, na consistência das fezes e na urgência para evacuar. A evolução depende do segmento intestinal preservado e do procedimento original, sendo acompanhada individualmente durante o pós-operatório.

Quando a ostomia é definitiva

Quando a reconstrução do trânsito intestinal não é possível ou não apresenta segurança adequada, é possível que a utilização da bolsa seja definitiva. Isso pode ocorrer, por exemplo, em algumas cirurgias do reto nas quais o ânus e o mecanismo esfincteriano precisam ser removidos para o tratamento da doença.

Outras condições clínicas ou complicações também podem inviabilizar uma nova operação ou tornar a reconstrução inadequada. Nesses casos, o acompanhamento é direcionado ao funcionamento do estoma, à integridade da pele, ao uso adequado dos dispositivos e à manutenção das atividades cotidianas.

Ostomia pelo SUS: bolsa gratuita e como acessar

Quem é ostomizado pode receber gratuitamente pelo SUS os equipamentos coletores e os principais materiais necessários ao cuidado do estoma. A Portaria SAS/MS nº 400/2009 estabeleceu diretrizes para a atenção às pessoas ostomizadas e organizou a assistência especializada na rede pública.

O acesso geralmente começa pelo cadastro em um serviço de atenção à pessoa ostomizada do SUS, que pode funcionar em âmbito municipal, regional ou estadual. O paciente deve apresentar a documentação solicitada pelo serviço, incluindo a comprovação médica da necessidade dos equipamentos e insumos.

O fornecimento pode incluir:

  • Bolsas coletoras.
  • Sistemas de placas.
  • Materiais de proteção da pele, conforme a indicação individual. 

A quantidade e o tipo de produto disponibilizado consideram as necessidades do paciente, os critérios assistenciais e a organização adotada pelo serviço responsável.

Como o fluxo de cadastro e retirada pode variar entre municípios e estados, é importante consultar a unidade de saúde ou a Secretaria de Saúde local. O serviço também pode orientar sobre reposição, adequação dos equipamentos e condutas quando os materiais disponibilizados não atendem às necessidades previstas.

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Pessoa ostomizada é considerada PCD? Entenda os direitos

A ostomia pode caracterizar deficiência física quando representa um impedimento de longo prazo e atende aos critérios aplicáveis ao reconhecimento da pessoa com deficiência. Entretanto, o acesso a benefícios específicos não decorre automaticamente da existência do estoma, pois cada direito possui requisitos próprios.

O reconhecimento como pessoa com deficiência

A legislação brasileira inclui a ostomia entre as condições que podem caracterizar deficiência física. O Decreto nº 5.296/2004 incorporou expressamente a ostomia nessa definição, enquanto a Lei nº 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão, adota o conceito de impedimento de longo prazo associado às barreiras enfrentadas pela pessoa.

Na prática, o reconhecimento pode exigir documentação médica e, conforme o benefício solicitado, avaliação específica ou biopsicossocial. Por isso, os direitos do ostomizado devem ser analisados conforme a natureza da condição e os critérios estabelecidos para cada política pública ou benefício.

Isenção de Imposto de Renda

A pessoa ostomizada não recebe isenção de Imposto de Renda apenas por possuir um estoma ou por ser reconhecida como pessoa com deficiência. A legislação tributária estabelece hipóteses específicas de isenção sobre determinados rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão relacionados às doenças expressamente previstas em lei.

Assim, uma pessoa cuja ostomia decorra de neoplasia maligna, por exemplo, pode ter direito à isenção sobre os rendimentos abrangidos pela legislação caso os requisitos sejam preenchidos. A renda proveniente de trabalho na ativa, em regra, não é alcançada por essa modalidade de isenção.

Vagas em concursos e outros benefícios

Quando reconhecida como pessoa com deficiência nos termos aplicáveis ao concurso, a pessoa ostomizada pode concorrer às vagas reservadas a PCD. O candidato deve observar o edital, apresentar a documentação exigida e passar pelas avaliações previstas para confirmar o enquadramento.

Benefícios tributários relacionados à aquisição de veículos, como isenções de IPI ou ICMS, possuem critérios próprios e não são concedidos apenas pela existência da estomia. As exigências também podem variar conforme o tributo e, no caso de benefícios estaduais, segundo a legislação vigente no local.

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) também pode ser solicitado quando estão presentes os requisitos legais de deficiência e vulnerabilidade socioeconômica. Como cada benefício possui critérios diferentes, a análise individual com o serviço social ou profissional da área jurídica ajuda a verificar quais direitos do ostomizado podem ser aplicáveis.

Profissionais e grupos de apoio para pessoas ostomizadas

O acompanhamento após a criação do estoma pode envolver diferentes profissionais, de acordo com as necessidades clínicas e a fase de adaptação. O cirurgião acompanha a recuperação e possíveis complicações, enquanto o enfermeiro estomaterapeuta orienta os cuidados com o estoma, a pele e os dispositivos coletores.

Nutricionistas também podem auxiliar na adaptação alimentar e na hidratação, especialmente em pessoas com ileostomia. Quando necessário, o acompanhamento psicológico pode integrar o cuidado diante das mudanças relacionadas à imagem corporal, à rotina, à intimidade e à adaptação ao uso da bolsa.

Associações de pessoas ostomizadas e grupos de apoio também podem oferecer informações e troca de experiências sobre os cuidados cotidianos. Entidades como a ABRASO e organizações regionais podem auxiliar na localização de redes de suporte, cuja disponibilidade varia conforme a cidade e o estado.

Sinais de alerta que exigem avaliação urgente

Algumas alterações no estoma ou no funcionamento intestinal exigem avaliação médica rápida:

  • Dor abdominal intensa.
  • Distensão progressiva.
  • Vômitos persistentes.
  • Ausência de eliminação pelo estoma associada a desconforto.
  • Aumento importante do volume abdominal
  • Sangramento intenso ou contínuo pelo estoma.
  • Mudança importante de cor, especialmente quando ele fica muito escuro, arroxeado ou pálido.
  • Retração acentuada.
  • Prolapso súbito.
  • Dificuldade de manter a bolsa adequadamente aderida em razão de alteração importante do formato.

Na ileostomia, merecem atenção:

  • Redução acentuada do débito urinário.
  • Tontura.
  • Fraqueza.
  • Sede intensa.
  • Aumento expressivo do volume eliminado.
  • Indicativos de desidratação.
  • Febre.
  • Secreção purulenta.
  • Vermelhidão que se espalha pela pele.
  • Dor crescente ao redor do estoma.
Atenção: Diante desses sinais, a orientação é procurar atendimento sem esperar a próxima consulta programada, especialmente quando os sintomas são intensos, surgem de forma súbita ou pioram rapidamente.

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Consulta e acompanhamento com o Dr. Carlos Obregon

O Dr. Carlos Obregon (CRM-SP 177864 I RQE 107012 I RQE 107013) é cirurgião geral e cirurgião do aparelho digestivo, com atuação em São Paulo. Seu atendimento inclui avaliação de doenças do trato gastrointestinal, indicação cirúrgica quando necessária e acompanhamento pré e pós-operatório de pacientes submetidos a procedimentos digestivos.

Sua formação inclui:

  • Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
  • Residência Médica em Cirurgia Geral no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP).
  • Residência Médica em Cirurgia do Aparelho Digestivo no HC-FMUSP.
  • Preceptoria em Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia no HC-FMUSP.
  • Complementação em Colonoscopia pela Faculdade de Medicina da USP.

O Dr. Carlos Obregon também atua como médico colaborador do Serviço de Cirurgia do Cólon e do Reto do HC-FMUSP, plantonista cirúrgico do ICESP-HCFMUSP e integrante do corpo clínico da BP, reunindo experiência no acompanhamento de diferentes condições do aparelho digestivo.

As consultas particulares são realizadas no Instituto Medicina em Foco, em São Paulo. No caso de pacientes com ostomia, o acompanhamento pode abranger a indicação inicial, a recuperação após a cirurgia, a avaliação do funcionamento do estoma e, quando aplicável, a análise da possibilidade de reconstrução do trânsito intestinal.

Agende sua consulta

A avaliação individualizada permite compreender a causa da ostomia, identificar possíveis complicações e definir as etapas do acompanhamento conforme o tipo de estoma, a cirurgia realizada e as condições clínicas do paciente.

Para esclarecer seu caso e discutir as possibilidades de acompanhamento ou reversão, marque uma consulta com o Dr. Carlos Obregon em São Paulo.

As informações fornecidas neste texto são apenas para fins informativos e educacionais e não substituem a consulta médica. Sempre procure orientação médica para diagnóstico e tratamento adequados.​​

🏥 Endereço do Instituto Medicina em Foco: Rua Frei Caneca 1380, Consolação, São Paulo, CEP 01307-000. 

🕗 Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 21h.

📞 Telefone: (11) 97630-9711

Para mais informações, siga o Dr. Carlos Obregon nas redes sociais:

Conteúdo atualizado em 2026.

FAQ – Dúvidas frequentes sobre Ostomia: guia completo para quem é ou será ostomizado

1. Posso tomar banho com a bolsa de ostomia?

Sim. A bolsa pode permanecer durante o banho. Também é possível retirá-la durante a troca, higienizando suavemente o estoma e a pele ao redor, conforme a orientação da equipe.

2. A bolsa de ostomia vaza durante a noite, como evitar?

Esvaziar a bolsa antes de dormir, ajustar corretamente a placa e manter a pele seca ajudam a prevenir vazamentos. Episódios frequentes devem ser avaliados pelo estomaterapeuta.

3. Quanto tempo dura a bolsa de colostomia antes de trocar?

A duração da bolsa de colostomia varia conforme o sistema, a pele e a vedação. Vazamentos, ardência, coceira ou descolamento indicam necessidade de troca antes do período habitual.

4. Preciso de dieta especial para sempre com ostomia?

Não necessariamente. A alimentação costuma ser ampliada após a recuperação, conforme tolerância e tipo de estoma. Alguns alimentos podem alterar gases, odor ou consistência das eliminações.

5. Posso engravidar com ostomia ou colostomia?

Sim. A ostomia ou colostomia não impede necessariamente a gravidez. O acompanhamento deve ser individualizado, com atenção às alterações do estoma e da parede abdominal durante a gestação.

6. A ostomia pode ser feita por laparoscopia?

Sim. A criação ou a reversão de ostomia temporária pode ser realizada por laparoscopia em casos selecionados. A técnica depende da doença, da cirurgia necessária e das condições clínicas.

7. Ostomizado tem direito a isenção de imposto de renda?

Não automaticamente. Os direitos do ostomizado seguem critérios próprios. A isenção de IR depende das hipóteses previstas em lei e do tipo de rendimento, não apenas da presença do estoma.

8. Como conseguir bolsa de ostomia pelo SUS gratuitamente?

O SUS fornece bolsas e insumos para pessoas ostomizadas. O acesso exige cadastro no serviço responsável da rede pública e documentação específica, conforme o fluxo adotado no município ou estado.

9. Ostomia temporária, em quanto tempo pode ser revertida?

A reversão de ostomia temporária pode ser considerada após alguns meses, mas não há prazo único. A cicatrização, a doença de base e as condições clínicas determinam o momento adequado.

10. Posso fazer natação ou academia com bolsa de ostomia?

Sim, após liberação médica. Natação e academia podem ser retomadas progressivamente, com atenção à proteção do estoma, ao aumento da pressão abdominal e ao risco de hérnia paraestomal.

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